19 de setembro
São Januário, Bispo e Mártir
(† 305)
Natural de Nápoles ou talvez de Benevento, São Januário nasceu na segunda metade do século III; aos trinta anos, já era bispo da cidade samnita, onde era amado pelos fiéis e respeitado pelos pagãos, por suas obras de caridade para com os pobres, sem nenhuma distinção. Transcorria o primeiro período do império de Diocleciano, quando os cristãos tinham certa liberdade de culto e podiam até ocupar altos cargos civis. Mas, no ano 303, tudo mudou e os cristãos eram vistos como inimigos a serem eliminados.
São Januário era muito amigo de Sóssio, diácono da cidade de Miseno. Certo dia, enquanto lia o Evangelho na igreja, teve uma visão: apareceu uma chama sobre a sua cabeça. Reconhecendo nela o símbolo do seu futuro martírio, ele deu graças ao Senhor e pediu para aquele fosse o seu destino. Assim, ele convidou Sóssio a participar da visita pastoral, que se realizaria em Pozzuoli, para falar sobre a fé. O diácono pôs-se a caminho, mas, durante a viagem, foi preso pelos guardas, enviados por Dragôncio, governador da Campânia. Na prisão recebeu a visita de São Januário, acompanhado pelo diácono Festo e o leitor Desidério: os três tentaram interceder, junto a Sóssio, pela sua libertação. Mas, em resposta, todos foram condenados a serem dilacerados publicamente pelos ursos. No entanto, a notícia da sua condenação à morte não foi bem vista pelo povo. Por isso, temendo uma revolta, o governador mudou a sentença para uma decapitação discreta, longe dos olhos do povo. Foram martirizados também Próculo, diácono da igreja de Pozzuoli, e os fiéis Eutíquio e Acúcio, por terem criticado a execução publicamente.
O sangue de São Januário foi recolhido pelos cristãos e colocado em pequenas ânforas. Era costume recolher o sangue dos mártires e colocá-lo em anforazinhas diante dos seus túmulos.
Os napolitanos consideram São Januário o seu protetor contra os flagelos da peste e das erupções do Vesúvio. É um culto antigo já difundido no mundo inteiro por causa da liquefação de seu sangue, durante a celebração de suas festas. O milagre vem sendo atestado desde 1389 por mais de 5 mil processos. O que mais intriga é o fato de até hoje os cientistas não conseguirem explicar por que o sangue de São Januário, contido numa ampola na catedral, se liquefaz e readquire a aparência de sangue novo, recém-derramado.